Nem tudo é vedānta, mas toda a Tradição do Yoga está apoiada nos Vedas

Nem tudo é vedānta, mas toda a Tradição do Yoga está apoiada nos Vedas

Por muito tempo, se criou um certo tipo de preconceito, um pensamento de que quem estuda vedānta, não tem relação direta com Yoga, que seria, por sua vez, uma Tradição tântrica e vice versa. Fato é que tantra, também faz parte de uma cultura maior, a cultura védica. O Veda, foi compilado em 4 samhitās, literalmente coleções, por um rṣi chamado Vyāsa. Elas são: Ṛk, Yajus, Sāma e Atharva. Estes, por sua vez, foram compostos não de uma vez só, mas com o decorrer do tempo, subdividindo-se em outras três porções: brāhmaṇa, āraṇyaka e upaniṣad. Por volta de 500 a.C., quatro samhitās, em sua maior parte, compostas em versos – Ṛg, Sāma, Yajus e Atharva – haviam se estabelecido. Estes quatro, se tornaram conhecidos como “os Vedas”. Porém, neste momento, um novo processo de pensamento emergia, em “textos” em prosa, que se chamariam brāhmaṇas. Os brāhmaṇas são “textos” discursivos, em sânscrito, que apresentam respostas à questões sobre as origens, e a maneira adequada para se realizar os rituais contidos nas samhitās; além de esclarecer os seus significados e símbolos. O seu objetivo era de evidenciar o Ser como algo livre das influências malignas do mundo, e evidenciar que a imortalidade poderia ser gozada em reinos celestiais. Isto seria feito através do domínio dos mantras utilizados nos rituais. Assim acreditava-se que se conquistaria uma vida decente neste mundo e uma melhor ainda nos próximos (celestiais). Os brāhmaṇas exploram bastante esta linguagem criptografada e repleta de símbolos; e a maior parte, hoje em dia, não é mais aceita por especialistas na linguagem (sânscrito). Porém, ainda são vistas como uma parte deste...
A importância de um mestre

A importância de um mestre

Hoje em dia o Yoga se transformou em um negócio bastante lucrativo. Ao mesmo tempo em que virou um negócio, se perdeu em sua essência. No Brasil se formos à uma livraria, encontraremos os livros de Yoga nas prateleira de esoterismo e/ou, pior ainda, na seção de auto-ajuda. Na era das redes sociais, não é difícil de se encontrar milhares de frases de efeito relacionadas a mestres daqui e dali. Mas sera que estas frases são, de fato, destes mestres? E mais ainda, sera que estes mestres estão realmente ligados à Tradição védica? Há um surto de organizações mundias de Yoga e bem-estar que vem crescendo mundialmente. E mesmo direto da India (claro, pois assim têm mais crédito e respaldo). Imitando modelos empresariais de pirâmide, os quais prendem seus adeptos aos seus cursos e produtos, gerando lucros sem fim. Portanto, para chamar um mestre de mestre, é só ver o seu perfil na rede social e dali, segui-lo? Ouvir Cd’s? Ler livros? Sair repetindo as frases feitas por eles? Ou será preciso estar na sua presença? Conhecê-lo de fato? Saber ao mesmo tempo que ele te conhece para que possa guiá-lo? Um mestre, para ser teu, tem antes de tudo que te conhecer. Para saber trabalhar contigo naquilo que mais você precisa. Te guiar em práticas adequadas. Um mestre, não precisa fazer discípulos. Um mestre é um renunciante, portanto, não precisa de lucros ou fama. Existe um mantra bastante interessante na Taittirīya Upaniṣad, que diz: “Que eu tenha fama”(o mestre). Mas esta fama é no sentido de que os seus próprios alunos sejam reconhecidos pelo mérito de suas capacidades...
Considerações sobre (a prática de) Yoga

Considerações sobre (a prática de) Yoga

A vida é como uma montanha-russa; uma sucessão constante de momentos felizes e tristes que experienciamos. Não há maneira de se viver a vida de outra forma. Por sua vez, estes momentos de felicidade e tristeza são estabelecidos por nossos gostos e aversões ao longo da vida. Naturalmente vamos na direção das experiências agradáveis. Pois, é legitimo para qualquer ser humano, a busca da felicidade. Na linguagem dos Vedas, esta felicidade está na forma de três objetivos fundamentais (puruṣārthas): artha (segurança), kāma (prazer) e dharma (reconhecimento). Basicamente, podemos passar uma vida inteira buscando por estas coisas. Como foi dito antes, é legítimo. Enquanto aquilo que buscamos nos preenche momentaneamente nos atende, não enxergamos nenhum problema. Isto é chamado Saṁsāra; que é definido em sânscrito da seguite forma: samsarati iti saṁsārah. Ou seja, saṁsāra é aquilo que flui muito bem. De fato, um problema se apresenta somente quando um destes puruṣārthas não é mais capaz de nos atender. E se olharmos objetivamente, vamos notar que o que acontece, de verdade, é isto. Estamos correndo sempre atrás de nossos rabos: preenchendo o vazio deixado por um desejo anterior, que foi realizado, por um novo, que desejo agora. Num destes momentos, geralmente, relacionados à tristeza, se estabelece um questionamento fundamental sobre quem somos e como podemos preencher esta sensação constante de insatisfação. É neste ponto que brilha o quarto puruṣārtha: mokṣa, a liberdade da sensação de que estou condicionado à alguma situação para ser feliz. O estudo do Yoga se inicia quando este questionamento se estabelece. E quando este se estabelece, o praticante é, de fato, um mumukṣu, ou alguém que tem...
Por que Vedānta

Por que Vedānta

Suponhamos que eu lhe peça para me dizer a cor de um objeto. Uma cor só pode ser reconhecida através de um dos nossos sentidos. E este é a visão. Eu não posso usar minhas narinas ou ouvidos para reconhecer uma cor. É preciso que eu use o meio de conhecimento adequado. Vedānta não é filosofia, teoria, tampouco religião. Vedānta é pramāna. Esta palavra se traduz como meio de conhecimento. Ou seja, o meio de conhecimento adequado para o autoconhecimento chama-se Vedānta. É dito que existem várias formas para “alcançar” este autoconhecimento. Mesmo dentro do Yoga, existem aqueles que dizem que existe um “caminho” para aquele que é mais emotivo, outro para intelectuais, outro para pessoas mais extrovertidas. Então, novamente volto às raízes do yoga, aqui na Índia. Pego de uma vez, três linhas: Karma, Bhakti e Jñāna. O primeiro pensamento que nos vem é o de identificar o que cada uma destas palavras significa. Karma, que significa ação, o yoga da ação. Bhakti, que significa devoção. O yoga devocional. Jñāna, que significa conhecimento. O yoga da disciplina do estudo dos textos sagrados, antigos, os Śāstras. Em um instante já separamos aquilo que deveria ser inseparável. O yoga, a união, a junção. Seria, então, possível praticar ásanas (ação) sem conhecimento? Sem devoção? Seria possível ser um devoto sem ação, ou sem conhecimento sobre aquilo que ele se dedica? Poderia haver conhecimento sem ação? É claro que a resposta é negativa. Não podemos separar os diferentes aspectos de uma prática de yoga. Quando o objetivo, no final, é o mesmo: autoconhecimento. Mesmo que aceitássemos que houvesse diferentes caminhos, digamos que...