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Artigos

Para compreender o prāṇāyāma

Introdução Prāṇa é o termo que o yogi usa para se relacionar com a sua própria respiração e também com toda a energia que sustenta o universo. Prāṇa é a energia que permite que o corpo e a mente funcionem. Exercícios respiratórios são formas excelentes para a o desenvolvimento desta energia. Eles são o foco principal do Prāṇāyāma, que é o quarto estágio da prática, colocado por Patañjali nos Yoga Sūtras. Além de desenvolver a nossa energia, o Prāṇāyāma é uma importante ferramenta para relaxar o corpo durante o esforço durante a prática de āsanas e também para estabilizar a mente para as práticas meditativas. A respiração não é apenas uma indicação de que estamos vivos, mas também uma forma de conexão com aquilo que é livre de formas e nomes (Brahman), que é apontado pelo elemento ar, e se sutiliza, posteriormente, no elemento espaço. Não é a toa que quando queremos empreender um grande esforço, damos uma profunda respirada! Para as práticas mais sutis, é necessário mais energia, maior concentração para estabilizar a mente, que pode ser feito através da respiração profunda e consciente. O Prāṇa é um assunto bastante importante para várias práticas de Yoga que enfatizam a relação desta energia com os canais sutis do corpo (nādīs) e cakras que estão estabelecidas em nosso corpo sutil.   Muitas coisas são faladas sobre as práticas de prāṇāyāma hoje em dia. A idéia é dar o significado implicado à estas práticas segundo o Śāstra. Falamos isso, pois assim como houve uma deturpação quanto à prática de āsanas, também houve em relação ao prāṇāyāma. Os fins foram confundidos com os meios. Na prática de āsanas, nós já... ler mais

Vidura e uma aula sobre o Dharma

Quando Sanjaya retornou de Upaplavya foi diretamente ao encontro do rei Dhritarashtra e se anunciou. O rei o saudou com bastante entusiasmo. Sanjaya disse: “Yudhishthira se prostra diante de ti e pergunta pelo seu bem e dos seus filhos e amigos. Seus irmãos e Kṛṣṇa estão muito bem. Eu me sentia muito bem naquela atmosfera de paz e retidão que lá encontrei. Era como respirar o ar puro das montanhas. Eu não gosto de seu comportamento e tampouco de suas palavras. Eu tive que realizar uma tarefa extremamente desagradável por sua causa. Você não é correto, assim como seus filhos, também não são. E mesmo assim você deseja desfrutar dos prazeres desta terra. Surpreende-me o seu otimismo. Eu entreguei sua mensagem a Yudhishthira, porém sua resposta será dada somente amanhã na corte. Eu desejo descansar agora. Estou física e mentalmente cansado. Por favor, permita-me ir.” Sanjaya se retira. A mente de Dhritarashtra permanece terrivelmente atormentada pelas palavras ditas. A resposta de Yudhishthira não havia sido revelada. O rei ardia como se consumido por uma febre. Ele tentava dormir, em vão. Em desespero ele procura por Vidura (seu irmão). Vidura o questiona o porquê de sua visita. A condição do rei era de dar pena. Ele disse: “Vidura, Sanjaya retornou de Upaplavya. Ele usou palavras ásperas comigo e depois se retirou. Ele não quis nem me dar uma pequena amostra das palavras de Yudhishthira. Eu tentei dormir e não consegui. Você é meu único amigo. Você sempre me amou apesar de todos os meus erros. Você precisa me consolar e me fazer dormir. Eu não consigo dormir!” Vidura disse: “Meu... ler mais

Yogasūtras à luz de Vedānta

Introdução Para muitos praticantes, o Yogasūtra obra seminal de Patañjali, é visto como um dos textos mais importantes dentro desta tradição. Porém, a bem da verdade, devemos lembrar que este tratado não contém ideias originais: suas bases estão firmemente fincadas na tradição védica. Muitos pensam que Patañjali tenha “inventado” este sistema quando de fato, ele apenas reúne este corpo de conhecimento e o coloca como um sistema prático. No estilo literário dos sūtras são retirados os excessos e mantido apenas o conteúdo necessário para que a mensagem seja compreendida à luz do seu devido contexto. A interpretação de um sūtra é algo bastante “perigoso” porque o intérprete pode “puxar a sardinha” para diversas direções. O que vemos, presentemente, é que esta obra é apenas traduzida por estudiosos que nem sempre estão conectados com a tradição da qual o Yoga nasceu. Isso deixa muito espaço para especulação vazia e interpretações duvidosas e deixa os leitores, às vezes, com dúvidas quanto ao significado dos aforismos. Para entendermos os Yogasūtras, primeiro temos que entender bem a palavra Yoga. Para isso vou utilizar as primeiras linhas dos versos de saudação a Patañjali usados antes do estudo deste texto: Yogena cittasya padena vacam malam śarirāsya ca vaidyakena Yo’pakarot tam pravaram muninam Patañjalim prañjaliranato’smi. “Eu reverencio Patañjali, especial entre todos os sábios, que elimina os obstáculos da mente, da comunicação e do corpo, através do Yoga, gramática e da medicina.” Então, yogena (através do yoga) apakarot (eliminou) yaḥ (esta) malam (impureza) de cittasya (mente), de vacam (fala), padena (através do estudo da gramática) e śarirāsya (do corpo), vaidyakena (através da medicina). Yoga é a disciplina... ler mais

Será que ele é iluminado?

Um dia destes, uma pessoa me perguntou sobre o nosso mestre: “Será que ele é iluminado?”. A pergunta é bastante subjetiva, e revela a maneira em que muita gente olha para os mestres. Não há um teste que possa ser aplicado para determinar se alguém é iluminado ou não. De qualquer maneira, antes de responder à pergunta, teríamos que ver o que significa ser “iluminado” para a pessoa que coloca a questão. Iluminação = poderes paranormais? Na cultura do Yoga estamos expostos a textos que falam de maneiras muito diversas sobre a iluminação. Alguns desses livros se atêm à descrição do que aconteceria como o mukti, aquele que alcançou a libertação, em termos de transformação interior, plenitude constante e outras conquistas associadas com moksha. Todavia, são descritos em detalhes os diferentes graus de samadhi e o estado nirvikalpa, quando acontece a cessação voluntária da atividade cerebral, por si mesmo uma façanha digna de menção. Outros textos já se dão outras liberdades poéticas e falam abertamente sobre pessoas que levitam, conversam com espíritos, ou lêem o pensamento dos demais. Há ainda outra categoria de textos que narram prodígios como yogis viajando para outras dimensões, materializando objetos e realizando outros prodígios, que são verdadeiras viagens de LSD ou, no melhor dos casos, pura fantasia. Agora, é preciso separar o que seja uma licença poética do que é a realidade. Lendo, por exemplo, a biografia do yogi tibetano Milarepa, vemos que a pessoa que escreveu esse texto fala sobre os siddhis, poderes paranormais, com muita naturalidade. Se a intenção de incluir uma descrição desses poderes é chamar a atenção do leitor para... ler mais

Yoga e performance

Este artigo foi inspirado em algo que ouvi de um outro praticante de Yoga, que me criticou, ao comparar os riscos de lesão que posso ter na prática do triathlon, para poder justificar as lesões que aquele praticante tinha na sua rotina de āsanas. Muitos praticantes e professores confundem Esporte com Yoga. Enquanto um, tem como objetivo o bem estar, saúde e performance. O outro, tem como resultado o bem estar geral, mas, acima de tudo, o seu objetivo não é dor e tampouco performance; e sim, o autoconhecimento. No meu ponto de vista, embora não seja o objetivo trazer um aumento na performance para um indivíduo em relação às suas tarefas e trabalhos, podemos nos beneficiar bastante de algumas técnicas específicas, contidas neste grande corpo de conhecimento que é o Yoga. Neste caso, deixando a maior parte de seu conteúdo de reflexão, e também espiritual, focamos em uma parte bastante especifica, que é: o que posso tirar de proveito de tudo aquilo que se refere à parte física do Yoga para ajudar nas coisas que preciso fazer no dia a dia? Pense na sua profissão, ou no seu hobby. Como o Yoga se encaixa com tudo isto? Relembrando, que estamos apenas falando sobre algumas técnicas especificas.   Um atleta, normalmente, já sobrecarrega demais o próprio corpo com exaustivos treinos. Portanto, a prática de Yoga deve ser proposta, não para exigir ainda mais. Por outro lado, deve e pode ajudar na recuperação. Vou citar aqui, apenas três técnicas, que já são bastante evidentes pra qualquer praticante de Yoga e que também podem ser aplicadas à atletas, mesmo que estes,... ler mais

Sobre o medo

O medo, assim como qualquer emoção é necessário. O medo é uma ferramenta de autoproteção. Se alguém levanta o braço para você, automaticamente você se defende. O que acontece é que muitas vezes dizemos que não temos medo de coisa alguma. E ali, aquele medo vai nos corroendo pouco a pouco porque não o aceitamos, não o admitimos. É importante termos medo de forma consciente, senão, simplesmente fariamos qualquer coisa. E aí, nos machucariamos, ou machucariamos outras pessoas. Portanto, é importante admitirmos o medo e nos colocarmos nesta posição frágil, da mesma forma que nos colocamos numa posição de felicidade. É apenas uma emoção, mas tem uma finalidade bastante específica, que é esta, autoproteção. Só não podemos confundir ESTAR com medo, com SERMOS o medo. Por isto, acomodar o medo. Entendendo que aquilo é uma reação da mente em relação a algo bastante pontual. Assim que aquela situação passa, o medo vai junto. O medo geralmente está relacionado à esta percepção de que somos limitados. Ao nosso apego a determinados objetos e a percepção enganosa de que algo está sempre faltando para sermos definitivamente felizes e plenos. Por isso é tão importante este entendimento de que eu já sou pleno em mim mesmo. Pois, a partir daí, tudo é enxergado de forma relativa. A partir de um ponto de vista absoluto, que sou eu. Eu não sou afetado pelo medo. Apenas a mente é. É disto que eu preciso me dar conta. De toda esta confusão que persiste em se instalar na minha mente. Admitir é entender a natureza do medo. Por exemplo: Eu tenho medo de cobra porque... ler mais